O protesto foi conduzido por membros do Grande Conselho Municipal do Idoso, do Sindicato dos Bancários e do Grupo de Articulação da Moradia do Idoso na Capital (Garmic). Os manifestantes receberam apoio de outros mais jovens, da Frente de Luta por Moradia (FLM). Estes se concentravam para o manifesto alusivo ao Dia Mundial dos Sem Teto, comemorado junto com o Dia Internacional do Idoso, em 1º de outubro.
Segundo a conselheira municipal do idoso, Maria Eliete de Souza, de 65 anos, a coincidência das datas se adequou às bandeiras dos idosos da região central. "O principal problema do Centro é a moradia", diz ela. A coordenadora do Garmic e também conselheira do idoso, Olga Leõn Quirioga, de 71 anos, confirma a afirmação da colega e acrescenta: "com um bom lugar para morar, a saúde e o lazer vêm como conseqüência".
A multidão grisalha é composta de pequenos grupos uniformizados, cada qual com roupa e bandeira indicando a procedência. O pessoal de camiseta amarela e bandeira verde, por exemplo, representa a Zona Leste, enquanto a turma de camiseta e bandeira branca é do Centro. Idália dos Santos Rodrigues, de 66 anos, participou da passeata com uma bandeira branca na mão, mas sem a camiseta. O descompasso do uniforme talvez represente a ambigüidade de sua luta. Ela quer uma moradia no Centro, mas vive de aluguel em Guarulhos.
Lá ela consegue sobreviver com os R$ 180,00 que lhe sobram da aposentadoria. Os outros R$ 200,00 vão para o pagamento de uma dívida que contraiu dois anos antes. Ela fez o empréstimo, que só será quitado em 2009, para pagar o aluguel do filho. Para complementar a renda, Idáliar presta serviço de diarista duas vezes por mês numa "casa de família", no bairro de Santana. São R$ 30,00 pelo dia de trabalho. "É muito pouco, tudo que tenho é doado", diz, mostrando as roupas e ao sapato gasto.
Nem por isso ela deixa de vir religiosamente às reuniões mensais do Garmic, na Câmara Municipal, toda 3ª terça-feira do mês. Para ela o esforço vale a pena. "Vivi minha vida inteira no Centro, aqui cresci, casei e criei meus filhos. Queria muito voltar para cá", fala.
Foi o Centro que a família dela escolheu para morar quando emigrou de Termedal dos Fernandes, na Bahia, para São Paulo, há 52 anos. Ao todo, entre as tragédias da morte prematura do marido e da filha mais velha, essa última ocorrida dois anos atrás, Idália viveu 40 anos em cortiços no Centro ou próximos à região central. O último foi na Ponte Pequena, região do Parí, onde morava com um neto e seu filho mais novo. Quando o neto saiu de casa, ela resolveu se mudar. "Meu filho não ajudava nas contas, então preferi morar sozinha".
Idália diz estar cadastrada há 40 anos na Cohab, à espera de uma moradia. Há um ano está no Garmic. Integra hoje o grupo de 1.525 pessoas registradas pelo grupo nos programas municipais e estaduais de habitação. Do total cadastrado, 55% é da região central, de onde surgiu o movimento de moradia para o idoso. "O nome inicial do grupo, inclusive era de Articulação para a Moradia do Idoso do Centro, e não da Capital" explica Olga.
Apesar da falta de moradia, o Centro ainda é o lugar em que o idoso consegue sobreviver com mais facilidade. "Aqui o idoso carente consegue pedir esmola, alimento e viver nos albergues, cortiços ou ocupações. Nos bairros ou na favela isso é mais difícil", diz Olga. A coordenadora calcula que haja 7 mil idosos sem teto. "Mais da metade deles vive nas ruas por opção, porque gostam mais de estarem sozinhos do que morar com a família", diz.
Hoje o artigo 37 do Estatuto do Idoso, garante o direito à moradia. O artigo 38 garante a prioridade na aquisição de imóvel e dá a cota de 3% das unidades residenciais para atendimento ao idoso. "Essa cota deve ser respeitada também nos projetos habitacionais de relocação de famílias ou reforma de prédios", ressalta Olga.
Além das cotas, o conceito de moradias exclusivas para o idoso é algo que começa a se concretizar. Inaugurada em 19 de agosto, a Vila dos Idosos, no Parí, foi o primeiro e até agora único empreendimento habitacional destinado a um grupo social específico em São Paulo. Viabilizado com verbas da Cohab e da Caixa Econômica Federal, o conjunto possui 145 unidades e é um primeiro sinal de mudanças na questão da moradia para idosos. "Achamos que a Vila foi uma conquista, mas ainda há falhas, principalmente nos critérios para a seleção dos contemplados", fala Olga.
Ela lembra que ao contrário do que todos pensam, o idoso prefere protestar a ficar no Centro de Convivência. Segundo ela, estiveram presentes no Dia dos Cabeças Brancas, cerca de 1,2 mil idosos. Na quinta-feira, um evento da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) voltado a lazer e serviços de saúde reuniu 3 mil idosos, segundo a própria secretaria.
Um comentário:
Cara, acho que vc pegou meio pesado com os velhinhos. Mas tá massa.
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