Paco gosta de transformar suas aulas numa experiência heurística. Para a turma brasileira do Curso de Jornalismo Intensivo, o método pareceu estranho. Ao fim de uma semana intensiva, no entanto, todos participavam. A descoberta fixa-se fortemente quando surge da boca de quem aprende . Pequenas frases tornaram-se grandes ensinamentos. Lições que, em nosso caso, foram marcadas pelo sotaque galego desse professor da Universidade de Navarra.
A seguir está um relatório que tive que fazer, novamente no dia 24 desse mês. Comentava um pouco dos conteúdos da aula de Paco.
No período da manhã de quarta-feira José Francisco (Paco) Sanchez retomou a palestra do dia anterior. Começou pelo conceito de cultura. Segundo Paco, as culturas se dividem pelo nível cultural que alcançam. Foi precisamente pelos resultados alcançados por determinadas culturas que ele comparou já em aulas anteriores a cultura judaico-cristã ocidental com outras.
Alguns focas ficaram chocados pela possibilidade de superioridade de uma cultura sobre a outra. As questões que surgiram na aula ficaram em torno do proceder jornalístico. Como o jornalista pode agir sem preconceitos se parte do princípio que sua cultura é superior às outras? Paco respondeu que a cultura ocidental nem sempre é superior, continua sendo débil em muitos casos. Mas quando a questão é Direitos Humanos, então ela é efetivamente mais evoluída. Como exemplos ele citou o respeito às mulheres, às demais religiões e às crianças.
Paco diz que a discussão sobre a cultura é importante porque o jornalista escreve sempre o capítulo três. Isso sem saber o que se passou nos capítulos um e dois e sem idéia do que será o quatro. Ou seja, o exercício do jornalismo exige uma formação sólida. Os jornalistas produzimos cultura constantemente.
O jornalista, para Paco, é como um médico. Precisa ter a capacidade de diagnóstico. Uma espécie de diagnóstico cultural que saiba dar às suas matérias o mesmo sentido que as coisas têm na realidade. Por isso é preciso ler muito. Segundo ele, no mínimo um metro de livros (deitados um sobre o outro) por ano. Esse é um dos itens da lista de proposições de Paco, que também contempla a lembrança constante de que as coisas são complexas.
Depois das discussões filosóficas e culturais, Paco apresentou a estrutura argumentativa. Introduziu os elementos básicos da argumentação e dividiu-a em dois tipos: persuasão e convencimento. Em seguida pediu que analisássemos dois editoriais e identificássemos que tipo cada um era, se persuasivo ou argumentativo.
Para mais Paco: www.pacosanchez.bitacoras.com
Recomendação do próprio Paco, ler em Capítulos de Libros os seguintes posts: La escritura como modo de vida; e La narración periodística.
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Um comentário:
Legal o teu resumo da aula, chico. Esse Paco parece interessante. A coisa do diagnóstico baseado no repertório é legal. Quanto mais você leu coisas boas, menos preconceito terá, pois o acúmulo de pensamento reflexivo (nem que seja dos outros) elimina essa porcaria.
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