terça-feira, 23 de outubro de 2007

Apenas um porteiro

No domingo, por volta das 11 horas Acácio notou a correria. Os moradores da região do Parque Estadual do Juquerí procuravam os guardas ambientais para reportar um foco de incêndio. Logo em seguida outras guardas, que monitoravam por motos o parque chegam também com más notícias. Os bombeiros chegam duas horas depois. Deixam suas viaturas e emprestam as três pickups da Secretaria do Meio Ambiente para o acesso às chamas. O sol quente e o tempo seco pioram a situação. O controle é impossível. Por volta das 17 horas o primeiro helicóptero águia chega ao local. Mais tarde outra unidade auxilia no combate e identificação dos focos, vindo diretamente do autódromo de Interlagos.
 
São três focos de incêndio, me diz Acácio, da portaria do parque. São quase 19 horas e ele tenta explicar o caos. Tem muita fumaça, muita correria. Ele é só um porteiro, só indo lá mesmo para ver como está a situação. Não dá para falar por telefone telefone. Por esse horário começa uma ventania, que os bombeiros diriam depois, auxiliou ainda mais para espalhar as chamas. O vento, no entanto, precedeu a chuva, que deve ter apagado o incêndio.
 
Nascido em Franco da Rocha, Acácio nunca se imaginou trabalhando no parque. Tem orgulho do trabalho. Ele suspeita de incêndio criminoso. "Aqui tem muita gente com problemas com o parque, desde que ele virou área de preservação ambiental". Desde que se tornou APA, o parque proíbe a construção e limita a entrada de visitantes. "Mas o pessoal dá a volta e entra por outros cantos, foi muita coincidência três focos ao mesmo tempo", diz. Pede para não falar em seu nome, para não por sua opinião no jornal. Acácio é um nome fictício usado para esta matéria. "Não sou da secretaria, sou de uma empresa terceirizada, não posso dar opinião".
 
Por fim, ele desliga, lá perto das 19h20. "Agora você já me segurou para depois do expediente, estão me chamando aqui", ele diz como se estivesse prestes a bater o cartão enquanto parque todo pegasse fogo. Às 8 horas os bombeiros ainda não saíram do parque. Às nove começa a chuva e o descanso desses domingueiros. Acácio, quem sabe, já estivesse em casa a essa hora, imaginando as cinzas do dia seguinte. 

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