domingo, 11 de novembro de 2007

São Paulo e a infância

Nas últimas semanas tenho experimentado uma constante de nostalgia. Uma saudade que me acompanha quando rememoro antigas canções gauchescas, lá de Guarapuava, ou quando lembro as catequeses de sábado à tarde. Tudo isso enquanto passo apressado pelos gigantes de concreto ancorados na Avenida Paulista. É uma sensação reconfortante. Sinto-me responsável por aquele meu antigo eu, a criança. Sinto que preciso mantê-lo vivo, com pequenos doces e distrações. Eu adorava as pequenas distrações.
 
Tinha o costume de observar por horas as formigas trabalhando. Nas aulas de ensino religioso de meu colégio adventista e também nas catequeses católicas a metáfora da formiga trabalhadora era sempre utilizada. Mais ou menos da mesma forma que aparecia naquela fábula da formiga e do grilo, que eu gosto muito. Sempre que podia eu carregava uma formiga comigo, de um lado para o outro. O principal itinerário era da casa da minha avó para a minha. Normalmente levava aquela pequenina formiga doméstica. Aguentava a coceira que sentia quando ela lutava para andar entre os finos pelos de meus braços.
 
Junto com os colegas do Curso de Jornalismo lembro-me também da infância televisionada. O lado bom de um sistema de comunicação que nos padroniza mais e mais. Uma cumplicidade de jingles e episódios de enlatados americanos que nos aproximam, 31 jovens de diversas partes do país. Não fosse a telinha, levaríamos mais tempo para descobrir e imaginar a infância alheia. Acho que todos temos uma constante necessidade de se identificar com o outro. Talvez a nostalgia venha daí.

Um comentário:

Daniel Caron disse...

Nostalgia é uma espécie de saudades prazeirosa. Curto estes momentos.