Apostou em John Nash e na teoria da colaboração competitiva. Emprestou o bem que mais lhe definia como alfaiate, a máquina de costura, a um bordador talentoso porém desprovido do equipamento. Não que o bordador fosse despossuído de tudo. Na verdade estava em situação bem melhor que a dele, ocorre que era especialista em bordados e não foi previdente o suficiente para comprar o arsenal de costura.
Isso não impediu o competente bordador de aceitar uma bela encomenda, dada como um presente por seus esforçados préstimos com os fios de costura. Ele engoliu a alegria, porém, ao pedir o equipamento emprestado ao concorrente. O alfaiate havia chegado há pouco na praça e confiava no equipamento que tinha como uma forma de levar vantagem na competição costureira. O bordador o conhecia de outros cortes no tempo.
-- Você vai usar a sua máquina? Preciso dela ou não terei como atender ao pedido de um terno italiano caríssimo. -- indagou o bordador.
Um dilema rápido contaminou as idéias do alfaiate. Não emprestar e contar com o mal humor do talentoso bordador, ou afiançar o empreendimendo do concorrente, e correr o risco de perder a máquina e a possível clientela?
-- Tu... tudo bem. -- disse, por fim, o alfaiate, e a dor de uma úlcera se manifestou em seu estômago.
Apostou na competição colaborativa. Concedeu a máquina, comprada com árdua economia.
O bordador recebeu elogios quando o terno italiano ficou pronto, magnífico. Ninguém imaginava que teria talento também com as máquinas. Logo lhe deram crédito para que comprasse a sua própria e pudesse aceitar mais encomendas. Enriqueceu graças ao sucesso e ao talento, e àquela mãozinha que o primeiro alfaiate nunca esqueceu.
Quanto a este, continuou por algum tempo penando, à procura de clientes. O sucesso repentino do concorrente, alavancado por seu empréstimo, ofuscou um pouco seu talento próprio. Sim, ele também tinha talento, embora o bordador nunca tivesse admitido isso, razão pela qual o agradeceu, repassou algumas rebarbas de trabalho que lhe sobravam, tamanho o sucesso que tinha.
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