Risadas. Acho que só ouvi risadas sinceras depois da terceira semana. No começo eram respeitosas, estudadas. Perto do fim, a exatos três dias, penso que elas nos definem.
A minha primeira, lembro bem, foi para me apresentar. Veio acompanhada de um sorriso-cumprimento, enquanto me sentava para a entrevista inicial do Curso de Jornalismo. Saiu grave e desajeitada. A última foi ainda ontem, antes de sair da sala. Uma piadinha batida sobre o tema de nosso caderno: o aquecimento global.
As risadas têm lugar e hora para sair. Truncam o diálogo quando se adiantam. Os primeiros risos provocados pelo coordenador do curso, Chico Ornellas, não foram unânimes. Eram comuns períodos de silêncio depois de uma frase do Chico que ninguém entendia. Uma frase que hoje viria acompanhada de uma gargalhada geral.
Aos poucos nos afinamos. Os sorrisos medrosos das primeiras aulas de redação passaram a ganhar movimentos, dinâmica e harmonia. Tornaram-se uníssonos. Em algumas discussões filosóficas chegaram a gargalhadas reprovadoras. Nada que ultrapassasse a barreira do bom senso (tivemos uma palestra dedicada ao assunto).
Choros foram poucos. Nas aulas de Paco Sanchez, quando um perfil mais emotivo era lido. Foram choros honestos, repentinos e sorridentes. Ainda serão mais vezes, espero.
Nas viagens éramos sorrisos. Bocas abertas para retribuir os bons tratos e, claro, comer.
Não deixa de ser engraçado notar como as risadas, que no começo poderiam ser consideradas irônicas, se tornaram amigas. Na primeira semana nos demos rótulos. Um exercício de análise para mostrar a primeira impressão que deixávamos uns nos outros. Algo muito importante, segundo consta. Coube-me a alcunha de limitado, inseguro e inseguro. Nada melhor do que 31 rótulos para cada um dos notáveis egos de nossa turma.
É bom ver o extrato proveitoso disso tudo. Encarar o que ficou de bom, o que realmente importou nos três meses de trajetória. Principalmente da parte séria, que praticamente não aparece nesse texto, mas que contempla valores e conceitos fundamentais ao jornalista. Não houve um dia sequer em que não ri nesse curso. Não porque não levasse a sério, nem deixasse de temer o espectro do ranking que nos rondou durante meses. Mas sim porque fiz parte desse grupo de jovens jornalistas que superou alguns obstáculos juntos. Conseguimos, samba-enredo após samba-enredo (foram quatro de autoria de nosso trio de compositores, mais um axé) marcar com qualidade e descontração essa 18ª turma.
5 comentários:
Cara, gostei do teu blog... boa essas histórias diárias... como diz o paco o importante é contar boas histórias.
Adicionei seu link.
Intocável, chico. Ótimo texto.
Cara, meus parabéns. Seus textos estão cada vez melhores. Grande abraço!
Faaala Chico! Não pude deixar de notar que você estava muito mais descontraído e com uma super presença de espírito dessa última vez que veio pra cá! E com relação à "Principalmente da parte séria, que praticamente não aparece nesse texto, mas que contempla valores e conceitos fundamentais ao jornalista" a qualidade do texto contradiz essa afirmação. grande abraço!
Chico, não tinha lido os depoimentos. Na verdade, li pouquíssimos - é uma forma de auto-defesa, na verdade.
Ainda bem que li o seu. Compulsório, mas lindo!
Beijos!
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