quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Uma foca dos anos 50

Ontem tivemos a oportunidade de conhecer Cecília Thompson, a nona jornalista do Estadão, com 52 anos de carreira jornalística e uma jovialidade de dar inveja a muitas meninas de 20 anos que andam por aí. Atualmente ela é da ouvidoria do jornal. Seu trabalho é importante para a rotina do jornal. Recebe cerca de 200 e-mails por dia e, pasmem, resopnde a todos, junto com uma auxiliar. Faz isso buscando a resposta às reivindicações da população junto com as autoridades ou empresas responsáveis. Segundo ela, 90% das questões são resolvidas.
 
Ela contou preciosidades sobre a época de chumbo e sobre antes. "Na primeira vez que entrei na redação ouvia aquele barulho de centenas de máquinas de escrever e aquele cheiro de chumbo, da linotipo. Parecia que eu estava vendo um trem descarrilado da Estação Central, mas eu achava tudo lindo", afirma.
 
Cecília contou várias histórias, sempre revelando a paixão pela profissão. Ela trabalhou por muito tempo como repórter, começou na Última Hora de Samuel Weiner, passou pelo Estadão, ficou 10 anos "ganhando dinheiro", na Olivetti. Quando Claudio Abramo a convidou para voltar ao jornalismo ela não hesitou, "mesmo com um salário 40% inferior ao que ganhava na Olivetti", atesta.
 
Emocionou-se com os 31 "jovens jornalistas" e se colocou à disposição do grupo para futuros auxílios. "Depois da época da ditadura os novos repórteres pareciam tão apáticos, vieram tão conformados", lembrou, dando a entender que via alguma diferença nas turmas atuais. Sentada o tempo todo, depois de deixar toda a turma quieta como que em prostração, ela revelou um pouco dos desafios que enfrentou. O preconceito por ter sido, em sua época uma mulher ativa, jornalista e divorciada 4 vezes. Mostrou-se uma ecologista e pacifista. "Minhas maiores bandeiras são pela reciclagem e pela paz".
 
No fim da palestra foi possível ver em alguns dos focas um brilho diferente nos olhos. Brilho que começou com deslumbramento e acabou em comoção.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bravo, muito bom o texto. Até eu me comovi :)

Daniel Caron disse...

A descrição de Cecília da redação de jornal é uma pérola:

"Aquele barulho de centenas de máquinas de escrever e aquele cheiro de chumbo, da linotipo. Parecia que eu estava vendo um trem descarrilado da Estação Central"

Muito bom Chico!