terça-feira, 28 de julho de 2009

Acho que estava faltando.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Friozinho

Quando o frio chega nos Campos Gerais, você nota nos ossos, que chegam a doer. Dá para ver conversas ao longe, só por aquele vapor que sai quando se fala. Os calores ficam mais humanos também. Nada daquele sol de ócio arrebatador. Muito mais de um gelo estarracante que se te custa para sair da cama, te impele a um trabalho concentrado o dia todo.

E lá no terceiro planalto, onde começa Guarapuava, o vento se soma. Diminui ainda mais a temperatura. Seca e gela os olhos, endurece o nariz. Traz às vezes o frescor das araucárias, às vezes o aconchego dos fogões à lenha, dos pinhões na chapa. E nos bairros a velharada já aproveita para chimarrear solitos. Pra espantar a solidão na companhia da cuia, na trilha sonora da vassoura varrendo o chão.

domingo, 22 de março de 2009

Ainda

Recentemente discuti com alguns amigos sobre qual teria sido o início dessa crise toda e o que seria a solução mais eficaz para que a solução do problema. Basicamente a divisão que tivemos foi entre liberais e intervencionistas.

Tenho achado lógica na ação dos governos até o momento, de socorrer o sistema financeiro e auxiliar os setores mais afetados pela falta de crédito. Acredito que a origem dessa crise veio da política de juros baixos em um ambiente sem regulação financeira.  Evidentemente, há o temor inflacionário assim que houver uma recuperação. Penso que é preferível que saiamos dessa crise com um mercado mais regulado, porque a desestabilização da economia e o crescimento da desigualdade social tendem a crescer, no longo prazo, caso o raciocínio financeiro prevaleça.

Os liberais, no grupo, crêem que a presença do governo na economia manteve os juros artificialmente baixos. Logo, se o governo não interviesse na economia, não haveria juros baixos e, portanto, não haveria uma crise dessa magnitude. As crises são inerentes ao sistema, e têm uma função importante, de expurgar empresas pouco lucrativas. O argumento, nesse caso é que os governos são ineficientes, aí entra-se em deseconomias de escala e esses tipos de argumento.

O interessante é pensar que, se os governos não são concebidos como corruptos ou ineficazes, a priori, no raciocínio keynesiano, tampouco o mercado é considerado ganancioso ou egoísta a priori na argumentação liberal.

Observo nos argumentadores mais liberais a ênfase no discurso. Eles atribuem todas as mazelas, como era de se esperar, a uma política keynesiana, mesmo em Estados tradicionalmente liberais. Vocês podem imaginar, por exemplo um tipo de defesa ao liberalismo na Islândia com base nos efeitos danosos do intervencionismo do Fed na economia mundial.

Não é uma questão de demonizar o mercado, mas também não se pode condenar o Estado. Ambos têm interesses em jogo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Corrente de comércio

A balança comercial brasileira voltou a apresentar superávit e todo mundo já saiu alardeando, com otimismo, uma recuperação econômica. Não sei se podemos comemorar apenas por estarmos com um saldo positivo. A média diária de exportações caiu um bom bocado e parece estar em movimento decrescente. Acho que poderemos anunciar o fim da tormenta quando as médias de exportação e a corrente de comércio (exportação + importação) voltarem a subir. Por enquanto estamos no saldo positivo.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Dois mil e oito

O ano começou bem, com muitas apostas. Todos criam num crescimento vigoroso da economia e das instituições. Um ano eleitoral, notadamente com mais dinheiro circulando. Dinheiro que movimenta votos e que agora, vai novamente ser represado até 2010. O ano começou com a febre do etanol e da inflação. Aparentemente todo mundo estava consumindo tudo ao mesmo tempo. Houve altas enormes nos preços dos alimentos. O petróleo atingiu o pico histórico, a marca de 147 dólares o barril Brent.

Tudo financiado com o dinheiro barato de uma bolha financeira internacional e avalisado pelo crescimento chinês, principalmente. Veio a Olimpíada e a China tirou o pé do acelerador. Os preços começaram a cair e despencaram quando a bolha bancária estourou. A queda foi profunda. A ela se seguiu uma rápida ação governamental, com uma integração internacional inédita. Mesmo assim foi tarde demais e agora chegamos ao fim de um ciclo de crescimento vigoroso mundial, para a primeira recessão do século XXI.

Vamos ver o que vem por aí. Agora é que surgem as oportunidades, isso é o certo. Um dos problemas vai ser identificar o fundo do poço. Hoje muitas companhias se dizem subvalorizadas. A questão é que são verdadeiramente muitas, e a situação continua piorando.

No Brasil a coisa não vai tão mal. Mas também já começa a piorar. Depois do ponto alto do ano, com a descoberta do pré-sal e algumas demonstrações de inveja internacionais. Lembro de uma frase do New York Times "parece que tudo que eles fizeram lá começou a dar certo". Referiam-se ao etanol e à exploração de petróleo em águas profundas.

Claro que a inveja se tornou contestação em alguns casos. A eleição de Lugo, um bom bispo e, acredito, um elemento positivo para moralizar a política paraguaia, tomou ares de contestação (pelo menos a mídia brasileira sempre o encarou como um radical). Tenho a impressão que ele não vai conseguir mudar o tratado de Itaipu, mas vai conseguir melhores condições (já conseguiu algumas) para o Paraguai. Não vai ser comprável.

Já Rafael Correa e Hugo Chávez tiveram de elevar o tom das bravatas conforme o petróleo caiu de preço. A questão é puramente econômica. Nosso olhar é sempre de nação ofendida, de falta de respeito ao brasileiro. Oras, o que houve foi um desentendimento com uma empreiteira e posteriormente uma ameaça de não pagamento da dívida. O governo equatoriano, questionou o pagamento da obra e promoveu um estudo interno para avaliar se o endividamento era legítimo. Diga-se de passagem que a dívida estava assegurada. Claro que se houver o default, vamos reivindicar e retaliar conforme pudermos. O fato é que as relações latino-americanas nesse ano que começa tendem a ficar mais claras, conforme o enfraquecimento dessas potências petrolíferas.

As Farc praticamente acabaram-se. Chávez foi pego de calças curtas depois de um relatório da interpol e depois que os computadores das lideranças da guerrilha foram apreendidos. O resgate de Íngrid Betancourt foi a cereja do bolo.

Pessoalmente conheci São Paulo neste ano. Desmitifiquei muitas coisas que tinha como certas. Vi a ascensão de vários amigos, bons amigos. Foi um bom ano, de muito trabalho, é verdade. Um esforço que tenho certeza que valeu a pena. Para esse ano espero que haja uma melhora nos posts. Como sempre. Vou tender para o pedantismo e academicismo por um tempo, pelo menos. As fotos devem voltar também, aos poucos.

E que venha a crise, em forma de marolinha se possível!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Petróleo

Qual é o verdadeiro preço do petróleo? Afinal de contas, a alta acelerada desses últimos anos, seguida pela queda absurda dos últimos meses deve dar uma média ainda acima da média histórica. Claro que tem de entrar nessa conta o deflacionamento do produto e o volume consumido. Isso sem contar o famoso preço futuro, aquele extra cobrado para que os detentores das reservas consigam sobreviver depois que elas acabarem.

Mas a questão que me vem em mente é que, conforme o petróleo chega ao fim, ele encarece, e conforme encarece não apenas coloca dinheiro nas burras dos membros da Opep, mas também estimula a pesquisa de energias alternativas. Isso, por sua vez, não colocaria de volta um freio na aceleração do preço?

Lógico que a queda no preço também vai estimular o consumo, e por sua vez, a redução das pesquisas alternativas. Mas muitos países já estão vendo beneficios além dos econômicos (os ambientais passaram a ser valorizados).

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Coisas perturbadoras

Apostou em John Nash e na teoria da colaboração competitiva. Emprestou o bem que mais lhe definia como alfaiate, a máquina de costura, a um bordador talentoso porém desprovido do equipamento. Não que o bordador fosse despossuído de tudo. Na verdade estava em situação bem melhor que a dele, ocorre que era especialista em bordados e não foi previdente o suficiente para comprar o arsenal de costura.

Isso não impediu o competente bordador de aceitar uma bela encomenda, dada como um presente por seus esforçados préstimos com os fios de costura. Ele engoliu a alegria, porém, ao pedir o equipamento emprestado ao concorrente. O alfaiate havia chegado há pouco na praça e confiava no equipamento que tinha como uma forma de levar vantagem na competição costureira. O bordador o conhecia de outros cortes no tempo.

-- Você vai usar a sua máquina? Preciso dela ou não terei como atender ao pedido de um terno italiano caríssimo. -- indagou o bordador.

Um dilema rápido contaminou as idéias do alfaiate. Não emprestar e contar com o mal humor do talentoso bordador, ou afiançar o empreendimendo do concorrente, e correr o risco de perder a máquina e a possível clientela?

-- Tu... tudo bem. -- disse, por fim, o alfaiate, e a dor de uma úlcera se manifestou em seu estômago.

Apostou na competição colaborativa. Concedeu a máquina, comprada com árdua economia.

O bordador recebeu elogios quando o terno italiano ficou pronto, magnífico. Ninguém imaginava que teria talento também com as máquinas. Logo lhe deram crédito para que comprasse a sua própria e pudesse aceitar mais encomendas. Enriqueceu graças ao sucesso e ao talento, e àquela mãozinha que o primeiro alfaiate nunca esqueceu.

Quanto a este, continuou por algum tempo penando, à procura de clientes. O sucesso repentino do concorrente, alavancado por seu empréstimo, ofuscou um pouco seu talento próprio. Sim, ele também tinha talento, embora o bordador nunca tivesse admitido isso, razão pela qual o agradeceu, repassou algumas rebarbas de trabalho que lhe sobravam, tamanho o sucesso que tinha.